Coreano
한국어 Hangugeo
Língua das duas Coreias, com cerca de 80 milhões de falantes, escrita no hangul, alfabeto criado pelo rei Sejong no século XV.
- Falantes nativos
- 81 milhões
- Falantes no total
- 82 milhões
- Oficial em
- 2 países
- Família
- Coreânica
- Escrita
- Alfabeto de traços
- Direção
- Esquerda → direita
- Ordem básica
- SOV
- Gêneros
- Nenhum
- Casos
- Nenhum
- Tons
- Não tonal
- Primeiro registro
- c. 600
- Dificuldade p/ BR
Visão geral
Língua das duas Coreias, com cerca de 80 milhões de falantes, escrita no hangul, alfabeto criado pelo rei Sejong no século XV. Pertence à família Coreânica (Coreano (família coreânica)) e é escrito com hangul (alfabeto featural agrupado em blocos silábicos), com uso ocasional de hanja (caracteres chineses) na coreia do sul. Estima-se que tenha cerca de 81 milhões de falantes nativos e 82 milhões de falantes no total, contando quem o usa como segunda língua.
Características marcantes
- Usa o hangul, alfabeto criado de forma planejada no século XV e cuja data de criação é conhecida.
- O formato das letras representa a posição da boca e da língua ao pronunciá-las.
- Tem um sistema complexo de níveis de fala e honoríficos.
- Possui dois conjuntos completos de números, um nativo e um de origem chinesa.
- Distingue consoantes suaves, tensas e aspiradas, contraste raro entre as línguas do mundo.
Origem e história
A história antiga do coreano é pouco documentada. A língua atual descende da variedade falada no reino de Silla, que unificou a maior parte da península no século VII. As línguas dos reinos rivais, Goguryeo e Baekje, são conhecidas apenas por nomes de lugares e poucas glosas, e não se sabe ao certo quão próximas eram. Durante mais de mil anos, os coreanos escreveram em chinês clássico ou usaram sistemas engenhosos, como o idu e o hyangchal, que adaptavam caracteres chineses para representar palavras e terminações coreanas.
Com a dinastia Goryeo (918-1392) e a capital em Kaesong, formou-se o chamado coreano médio. A escrita, porém, continuava restrita a uma elite que dominava o chinês clássico. Em 1443, o rei Sejong, o Grande, da dinastia Joseon, concluiu com estudiosos de sua corte um alfabeto novo, promulgado em 1446 com o nome de Hunminjeongeum, "os sons corretos para instruir o povo". No prefácio, o rei explica que o criou porque o povo comum não conseguia expressar seus pensamentos por escrito.
O novo alfabeto enfrentou resistência da elite letrada, que o considerava vulgar, e chegou a ser proibido pelo rei Yeonsangun em 1504. Ainda assim, sobreviveu em cartas, romances populares e textos escritos por mulheres. Só em 1894, com as reformas Gabo, o hangul passou a ser usado em documentos oficiais. Em 1933, a Sociedade da Língua Coreana publicou as regras unificadas de ortografia que são a base da escrita atual.
Durante o domínio japonês (1910-1945), o coreano foi progressivamente afastado das escolas, e no fim da década de 1930 as autoridades coloniais pressionaram os coreanos a adotar nomes japoneses. Membros da Sociedade da Língua Coreana chegaram a ser presos durante a elaboração de um dicionário. Com a libertação, em 1945, o hangul tornou-se símbolo de identidade nacional.
A divisão da península criou duas normas: a sul-coreana, baseada na fala de Seul, e a norte-coreana, baseada na de Pyongyang, que eliminou os hanja e substituiu muitos empréstimos estrangeiros por palavras nativas. Hoje, graças à onda cultural coreana (hallyu) de K-pop, dramas e cinema, o coreano está entre as línguas que mais crescem em número de estudantes no mundo.
Linha do tempo
- séc. VIISilla unifica a maior parte da península; o sistema idu registra o coreano com caracteres chineses.
- 1443O rei Sejong conclui a criação do hangul.
- 1446Promulgação do Hunminjeongeum, o manual oficial do novo alfabeto.
- 1504O rei Yeonsangun proíbe o ensino e o uso do hangul.
- 1894Reformas Gabo adotam o hangul em documentos oficiais.
- 1933Publicação das regras unificadas de ortografia do coreano.
- 1945Fim do domínio japonês; o coreano volta às escolas.
- 1997O Hunminjeongeum Haerye entra no registro Memória do Mundo da Unesco.
Onde o coreano é falado
O coreano é a língua das duas Coreias, que somam cerca de 77 milhões de habitantes. Fora da península, a maior comunidade histórica está na província chinesa de Jilin, sobretudo na Prefeitura Autônoma Coreana de Yanbian, onde o idioma tem status regional. Há ainda os "Koryo-saram", descendentes de coreanos deportados por Stalin para a Ásia Central em 1937, e grandes comunidades nos Estados Unidos, no Japão e no Canadá. No Brasil, a imigração coreana começou oficialmente em 1963 e se concentrou em São Paulo, nos bairros do Bom Retiro e do Brás.
Oficial em
Coreia do Sul, Coreia do Norte
Regional em
China (Yanbian, Jilin)
Minoritário em
Japão, Estados Unidos, Uzbequistão (coreanos soviéticos), Cazaquistão (coreanos soviéticos), Rússia (Sacalina), Brasil (São Paulo)
Organismos internacionais: OMPI (língua de publicação do PCT).
Regulação: Instituto Nacional da Língua Coreana (Coreia do Sul) e Instituto de Linguística da Academia de Ciências Sociais (Coreia do Norte) · Vitalidade: Segura
Sistema de escrita
- Sistema
- Hangul (alfabeto featural agrupado em blocos silábicos), com uso ocasional de hanja (caracteres chineses) na Coreia do Sul
- Tipo
- Alfabeto de traços
- Escritas
- Hangul, Hanja
- Símbolos básicos
- 24
- Direção
- Esquerda → direita
O hangul tem 24 letras básicas: 14 consoantes e 10 vogais, que se combinam em consoantes duplas e ditongos. As letras não são escritas em fila, mas agrupadas em blocos que formam sílabas: ㅎ + ㅏ + ㄴ = 한 (han). É chamado de "featural" porque o desenho das letras reflete a articulação dos sons: ㄱ (g/k) imita a base da língua tocando o céu da boca, e as consoantes aspiradas ganham um traço extra (ㄱ → ㅋ).
Hoje se escreve na horizontal, da esquerda para a direita. Até meados do século XX, era comum a escrita vertical, em colunas lidas de cima para baixo e da direita para a esquerda, como no chinês.
Pronúncia
O coreano não é tonal, mas tem uma distinção que confunde muito os brasileiros: muitas consoantes existem em três versões, uma suave, uma tensa e uma aspirada. ㄱ, ㄲ e ㅋ são três sons diferentes que um brasileiro tende a ouvir como "k" ou "g". O mesmo vale para ㄷ/ㄸ/ㅌ, ㅂ/ㅃ/ㅍ e ㅈ/ㅉ/ㅊ. As vogais ㅓ (eo, um "ó" aberto sem arredondar os lábios) e ㅡ (eu, um "u" com os lábios esticados) também não existem em português. Além disso, os sons mudam conforme a letra seguinte: 감사합니다 escreve-se "gamsahapnida", mas pronuncia-se "gamsahamnida".
- Vogais (aprox.)
- 8
- Consoantes (aprox.)
- 19
- Tonal
- Não
- Acento
- Sem acento tônico forte; a entonação é relativamente plana, com ênfase leve na primeira sílaba
O que costuma ser difícil para brasileiros: Contraste triplo entre consoantes suaves, tensas e aspiradas; as vogais ㅓ (eo) e ㅡ (eu); assimilações entre sílabas.
Estrutura gramatical
O coreano é uma língua aglutinante em que sufixos e partículas se encaixam uns nos outros. O verbo vem sempre no fim da frase e concentra muita informação: tempo, negação, modo, grau de respeito pelo sujeito e nível de formalidade em relação ao ouvinte. A função de cada palavra é indicada por partículas pospostas, como 이/가 (sujeito), 을/를 (objeto) e 은/는 (tópico), que mudam de forma conforme a palavra anterior termine em consoante ou vogal. Não há conjugação por pessoa: 가요 (gayo) pode ser "eu vou", "você vai" ou "eles vão", e o sujeito costuma ser omitido.
- Ordem
- SOV
- Morfologia
- Aglutinante
- Casos
- Nenhum
- Gêneros
- Nenhum
- Artigos
- Não
Gênero gramatical: Não há gênero gramatical. O gênero aparece apenas no vocabulário: "irmão mais velho" é 오빠 (oppa) quando uma mulher fala e 형 (hyeong) quando um homem fala.
Destaques da gramática
- Níveis de fala: a mesma frase muda de terminação conforme a formalidade. "Vou" pode ser 가 (ga, íntimo), 가요 (gayo, polido) ou 갑니다 (gamnida, formal).
- Honoríficos: o infixo -시- mostra respeito pelo sujeito, e existem verbos especiais para pessoas mais velhas, como 드시다 (deusida) em vez de 먹다 (meokda), "comer".
- Dois sistemas de números: o nativo (하나, 둘, 셋) para contar objetos e horas, e o sino-coreano (일, 이, 삼) para datas, dinheiro e minutos.
- Partículas que variam conforme o som final da palavra: 책은 (chaegeun) × 나무는 (namuneun).
- Adjetivos funcionam como verbos e se conjugam: 예쁘다 (yeppeuda, "ser bonito"), 예뻤어요 (yeppeosseoyo, "era bonito").
Dificuldade para brasileiros
Muito difícil · cerca de 2.200 horas de estudo até o nível intermediário
O alfabeto coreano é considerado um dos mais lógicos do mundo e pode ser aprendido em poucos dias. A dificuldade está no resto: ordem de palavras invertida em relação ao português, verbos longos cheios de sufixos, níveis de formalidade obrigatórios e um vocabulário sem pontos de contato com as línguas europeias, exceto os empréstimos do inglês. O FSI coloca o coreano na categoria IV, a mais difícil, com cerca de 88 semanas de estudo intensivo para falantes de inglês.
Referência: o Foreign Service Institute (EUA) classifica este idioma na categoria 4 de dificuldade para falantes de inglês (1 = mais próximo do inglês, 4 = mais distante). A estimativa em horas acima é editorial e pensada para brasileiros.
Palavras em coreano
| Coreano | Pronúncia aproximada | Significado | Ouvir |
|---|---|---|---|
| 물 | mul (MUL) | água | |
| 집 | jip (DJIP) | casa | |
| 친구 | chingu (TCHIN-gu) | amigo | |
| 밥 | bap (BAP) | arroz cozido, refeição | |
| 개 | gae (KÉ) | cachorro | |
| 책 | chaek (TCHÉK) | livro | |
| 해 | hae (RRÉ) | sol | |
| 마음 | maeum (MA-êum) | coração, mente | |
| 한 | han (RRAN) | sentimento coletivo de tristeza e ressentimento contido | |
| 눈치 | nunchi (NUN-tchi) | sensibilidade para perceber o clima e as emoções dos outros |
Contando de 1 a 5
- 1하나 (hana)
- 2둘 (dul)
- 3셋 (set)
- 4넷 (net)
- 5다섯 (daseot)
Frases úteis
A pronúncia aproximada foi escrita para leitores brasileiros; a sílaba em maiúsculas é a tônica. O botão 🔊 usa a voz do seu navegador, quando disponível.
| Português | Coreano | Pronúncia | Ouvir |
|---|---|---|---|
| Olá | 안녕하세요 | an-nhong-rra-SE-io | |
| Bom dia | 좋은 아침이에요 | DJO-eun a-TCHI-mi-e-io | |
| Boa noite | 안녕히 주무세요 | an-nhong-i dju-mu-SE-io | |
| Tchau | 안녕히 가세요 | an-nhong-i ka-SE-io | |
| Como vai? | 잘 지내세요? | DJAL dji-ne-SE-io | |
| Meu nome é Ana | 제 이름은 아나예요 | dje I-reu-meun A-na-ie-io | |
| Prazer em conhecer | 만나서 반갑습니다 | man-na-so ban-GAP-seum-ni-da | |
| Obrigado | 감사합니다 | kam-sa-RRAM-ni-da | |
| Por favor | 부탁합니다 | bu-TA-kam-ni-da | |
| Desculpe | 죄송합니다 | djue-SONG-ram-ni-da | |
| Sim | 네 | NE | |
| Não | 아니요 | a-NI-io | |
| Não entendo | 이해가 안 돼요 | i-RRE-ga AN due-io | |
| Quanto custa? | 얼마예요? | ol-MA-ie-io | |
| Onde fica o banheiro? | 화장실이 어디예요? | rrua-djang-SHI-ri o-DI-ie-io | |
| Eu te amo | 사랑해요 | sa-RANG-rre-io | |
| Saúde! (brinde) | 건배! | KON-be | |
| Bem-vindo | 환영합니다 | rruan-IONG-ram-ni-da |
모든 인간은 태어날 때부터 자유로우며 그 존엄과 권리에 있어 동등하다.
Modeun inganeun taeeonal ttaebuteo jayuroumyeo geu joneomgwa gwollie isseo dongdeunghada.
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Semelhanças com outros idiomas
O coreano não tem parentesco comprovado com outras grandes línguas; a antiga hipótese "altaica", que o ligaria ao turco e ao mongol, foi abandonada pela maioria dos linguistas. A estrutura gramatical é muito parecida com a do japonês, com verbo no fim, partículas e honoríficos, mas o vocabulário básico é diferente. Mais da metade do vocabulário de dicionário é sino-coreano, isto é, de origem chinesa, o que cria palavras semelhantes às japonesas e chinesas: "universidade" é 대학 (daehak) em coreano, 大学 (daigaku) em japonês e 大学 (dàxué) em mandarim.
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Curiosidades sobre o coreano
- A Coreia do Sul comemora o Dia do Hangul em 9 de outubro, feriado nacional; na Coreia do Norte, o dia do alfabeto (chamado lá de "chosŏn'gŭl") é celebrado em 15 de janeiro.
- No posfácio do Hunminjeongeum Haerye (1446), o estudioso Jeong In-ji escreveu que um homem sábio aprende o alfabeto antes de terminar a manhã, e até um tolo consegue aprendê-lo em dez dias.
- As duas Coreias usam nomes diferentes para a própria língua: 한국어 (hangugeo) no Sul e 조선말 (chosŏnmal) no Norte, e depois de décadas de separação o vocabulário cotidiano se distanciou bastante.
- Tradicionalmente, os coreanos nasciam com "1 ano" e ganhavam mais um a cada Ano-Novo. Em 2023, a Coreia do Sul passou a adotar oficialmente a idade internacional em documentos e leis.
- O coreano usa palavras de parentesco para chamar pessoas que não são da família: "oppa", "unnie" e "imo" (tia) são usados com amigos mais velhos ou com a senhora do restaurante.
- A língua de Jeju, falada na ilha homônima, é tão diferente do coreano padrão que a Unesco a classifica como língua criticamente ameaçada.
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